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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Trabalho remoto: cômodo ou necessário


Segundo dados do TIC Empresas 2008 (estudo feito pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR - NIC.br), 21% das empresas brasileiras que possuem computadores, oferecem infraestrutura para o trabalho remoto de seus funcionários.
Esse expressivo e crescente número mostra uma tendência que se justifica por diversos aspectos, nem sempre ligados à tecnologia. Segundo os responsáveis pelo estudo, fatores como o melhor entendimento dos benefícios do trabalho remoto, a crescente dificuldade de locomoção nos grandes centros urbanos, além da popularização e melhoria da infraestrutura de banda larga no país, são os principais motivadores desse método de trabalho.
Porém, analisando o estudo um pouco mais a fundo, percebemos que os pequenos e médios negócios ficam à margem de mais este recurso tecnológico: das empresas entrevistadas com até 49 funcionários, apenas 18% possuem infraestrutura para trabalho remoto, enquanto que nas que possuem 250 ou mais funcionários, o número triplica, atingindo os 58%!
Mas então, como trazer esse recurso também para realidade do pequeno e médio empreendedor?
Em primeiro lugar, é preciso desmistificar o conceito de trabalho à distância. Muitos administradores com quem convivo diariamente consideram a tecnologia de acesso remoto algo complexo e excessivamente caro. Porém, apoiado por um bom especialista, é possível desempenhar muitas tarefas fora da sede da empresa aproveitando recursos já existentes no parque informático, como por exemplo, o acesso remoto ao e-mail corporativo e o acesso a softwares de produtividade (como ERP"s), por meio de seções remotas, tecnologia presente "default" na maioria dos sistemas operacionais desenvolvidos para servidores de rede.
Em seguida, é preciso entender que, mesmo estando fisicamente fora, os computadores remotos fazem parte da rede da empresa e, por isso, devem estar sob o controle de uma rígida política de segurança, capaz de proteger o empregador de ameaças virtuais.
Sendo assim, algum investimento será necessário, senão de dinheiro, ao menos de tempo, para que se possa "pôr no papel" as regras e políticas dessa metodologia. Dessa forma, é imprescindível que o administrador pare e pense no próprio negócio: É necessário identificar quais tarefas que, executadas fora da empresa, trarão um benefício real ao negócio, pois quando se tem orçamento e tempo restritos, não se pode investir em algo por simples modismo!
Dicas para um trabalho remoto seguro:
- restringir as tarefas que podem ser realizadas remotamente e o número de funcionários com direito ao recurso;- Os profissionais com acesso remoto devem receber treinamento para entender os riscos aos quais estão expostos no trabalho pela Internet. Dessa forma, cria-se uma relação de responsabilidade do funcionário para com a empresa;- Disponibilizar os computadores (notebooks ou desktops) para os funcionários com direito ao trabalho remoto, possibilita padronizar o uso de sistemas antivírus, antispyware e firewall pessoal, indispensáveis nessa metodologia;- Assim como nos computadores da rede local da empresa, o uso de sistemas operacionais e antivírus originais e constantemente atualizados, também é essencial nos computadores remotos;- Desestimular ou mesmo impedir o armazenamento de informações corporativas no computador remoto ou em dispositivos removíveis como pendrives, garante que os dados continuarão centralizados no servidor e vinculados à política de backup da empresa; - Mesmo tendo um número restrito de funcionários que trabalham remotamente, controlar esse acesso com senha pessoal e complexa que seja obrigatoriamente trocada com freqüência (é possível garantir essa característica apenas com o uso de recursos técnicos); - Garantir privacidade dos dados durante o tráfego pela Internet e dificultar interceptações é imprescindível. Pode-se conseguir essa característica através do uso de recursos técnicos como VPN (Virtual Private Network) e encripitação de dados, recursos esses também disponíveis nos principais sistemas operacionais desenvolvidos para servidores; - Também com o uso de tecnologias nativas dos sistemas operacionais de servidor, é possível disponibilizar para o funcionário remoto um "computador virtual", simplificando com isso as questões de armazenamento centralizado e uso de softwares antivírus; - Por fim, e também apoiado por um especialista, garantir que todas as regras de segurança estejam presentes em um documento formal e assinado por ambas as partes (empregador e funcionário), desestimula ações mal intencionadas e, em última análise, pode servir de prova judicial contra um usuário irresponsável.

Por Carlos Augusto Cruz (sócio-diretor da CTECH Informática - empresa de tecnologia especializada em Segurança da Informação. E-mail: carlos@ctech.srv.br)

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