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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Em que web você vive?


Ainda que você não veja perigo iminente, aproveite este momento de crise para avaliar sua estratégia on line diante das opções no horizonte.“Cada estágio na evolução da world wide web demostrou ter a capacidade de transformar negócios e empresas“, afirma Ajit Kambil, diretor internacional da Deloitter Research, em artigo publicado no Journal of Bussiness Strategy. Mesmo que ainda seja um desafio – ou uma conta pendente – para muitas empresas, a era da web 2.0, de acordo com a Kambil, está transferindo o foco de atenção e a posição de privilégio para a web 3.0, a rede semântica. E a versão 4.0, ou móvel, está preparada para decolar, com uma aparentemente distante web 5.0, a rede “sensível”, já em seus calcanhares. A breve descrição que se segue pode ser útil para determinar em que etapa desse vertiginoso circuito paralelo está centrada sua estratégia.


- WEB 1.0: Internet básicaLimitada basicamente para publicar documentos e realizar transações. Com ela, as grandes empresas inauguraram sua estratégia online. Criaram um site onde publicavam informação corporativa e desenvolveram planos de marketing e vendas que incorporavam a web como ligação com os clientes.


- WEB 2.0: a rede social, da colaboração. No final dos anos 1990, ela mudou o papel dos usuários, que começaram a criar em conjunto e socialmente conteúdo e valor. Os símbolos: YouTube, Facebook, LinkedIn, deli.cio.us, Wikipedia. Uma plataforma cooperativa na qual o poder coletivo e os efeitos da rede (a cauda longa, ou long tail) abriam a possibilidade de gerar valor extraordinário. Hora de modificar os modelos de negócio para aproveitar as vantagens de “escalar” cada contribuição individual e de preparar-se para conviver no Grande Irmão virtual.


- Web 3.0: a rede semântica. A inteligência humana e a das máquinas combinadas. Informação mais rica, relevante, oportuna e acessível. Com linguagens mais potentes, redes neurais, algoritmos genéticos, a web 3.0 coloca ênfase na análise e na capacidade de processamento e em como gerar ideias a partir da informação produzida pelos usuários. Quem investir nela e no novo mundo transparente, quem concentrar energia e meios em comunicar-se e gerar confiança a partir da web será o dono das vantagens competitivas.


- Web 4.0 – a rede móvel. A partir da proliferação da comunicação sem fio (wireless), pessoas e objetos se conectam em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo físico ou virtual. Ou seja, integração em tempo real. Com mais “objetos” na rede, acrescenta-se um novo nível de conteúdo gerado pelos usuários e com ele outro nível de análise. Por exemplo, o GPS que guia o automóvel e ajuda o motorista a fazer um caminho melhor ou a economizar combustível em pouco tempo evitará o trabalho de dirigir.


- Web 5.0: a rede sensorial-emotiva. Mesmo que um blog estimule um debate apaixonado ou um vídeo no YouTube provoque uma reação em cadeia, a web é “emocionalmente” neutra: não percebe o que sente o usuário. De acordo com Kambil, mesmo que as emoções continuem sendo difíceis de “mapear”, já existem tecnologias que permitem verificar seus efeitos. O site wefeelfine.org rastreia e cataloga frases emocionais na web e registra a frequência e localização de clusters de sentimentos. A empresa Emotiv Systems criou, com o recurso da neurotecnologia, auriculares que permitem ao usuário interagir com o conteúdo que responda a suas emoções ou mudar em tempo real a expressão facial de um avatar. Se é possível “personalizar” as interações para criar experiências que emocionem os usuários, a web 5.0 será, sem dúvida, mais afável que suas antecessoras. E mais manipuladora.


WEB o quê? Chame como quiser! Pode ser WEB 2.0; se você preferir, WEB 3.0, WEBFlex (você a usa como quiser!) ou de WEBwhatever. Na verdade é a substituição da Era da Informação pela Era da Participação. Feito por pessoas para pessoas. Gente como você. A humanidade vive uma ruptura, é o momento de repensarmos direitos autorais, ética, privacidade, comércio, relações humanas e nós mesmos, os indivíduos digitais. Esqueçam o nome 2.0, esqueça qualquer número, daqui a pouco tudo vai ser “alguma coisa.zero” Já tem Filme 4.0, tem Agências de Publicidade 3.0, já falam de WEB 6.0. É a mesma internet de sempre, uma garotinha antenada, democrática e desinibida. Mas tem algo novo. Novo poder, nova força de trabalho, novos pensamentos, nova competição, novos modelos de negócios, novo estilo de vida, novas possibilidades, novas audiências, novos mercados. Bem-vindos à Humanidade 4.0. A primeira Humanidade 1.0 era a Agrícola, depois vivemos a Humanidade 2.0 Industrial, passamos pela humanidade 3.0 Tecnológica e agora vivemos a 4.0. Quem manda nesta nova ordem, são os 4C´s (Conteúdo, Comunidade, e-Comércio e Compartilhar). Neste exato momento você constrói uma nova sociedade dos sonhos, com uma nova economia criativa, consumo consciente e capitalismo solidário. Você achou que era apenas produção de vídeo, artigos e comentários? Errou! A deusa da casualidade usa de requintes de crueldade. Não é nada novo, é apenas a antropofagia de nossos antigos gênios. Antes de falar do nosso presente e do futuro, precisamos olhar ao passado, pois ele nos ensina e nos alerta. Vivemos a revisão histórica do panteão dos gênios da humanidade. Releia a antitese do egoísmo de Adam Smith, em Slideshare.net, com conteúdo acadêmico grátis para todos. Reaprenda a obra de Maquiavel, em Flickr.com que contraria interesses privados em favor do bem maior. Em Del.icio.us, você faz e outro repete como Galileo Galilei. Aterrise em Cervantes e Dom Quixote, que nos mostrou a lucidez da loucura e a inconveniência da verdade no Second Life. Renegue Lutero e sua máxima de não pagar entradas para o céu, no Zappo.com com seu lema “se você não encontrou aqui, nós iremos ajudá-lo a encontrar em outro lugar”. Releia o amor e a poesia de Marcel Proust, em Librarythings.com, que com 12 meses de lançamento tem 15 milhões de livros catalogados. Alguns com direitos reservados, mas não todos. Raciocine como Einstein, que disse que tudo depende do ponto de vista! Dos 100 vídeos clips mais acessados do Youtube.com, apenas dois foram produzidos por alguma agência de comunicação, e lembre-se que 1/3 de toda audiência na Internet passa por lá. Ou seja, uma geração mais influenciada pelo Youtube.com do que pela CNN. Ressuscite o egoísmo da Capela Sistina de Michelângelo, pedindo dinheiro emprestado para um banco como Zopa, Prosper e Wesabe, são todos bancos da nova geração! O lema deles diz que é humano, é fácil, é seguro. São pessoas emprestando para pessoas. É uma velha idéia que se tornou nova novamente! Relembre o herói desgraçado e o infeliz bem-aventurado de Shakespeare, no dig.com, onde você escreve um artigo, posta e as pessoas vão eleger se ele é bom ou ruim. E não esqueça: por dia são 500 mil novos visitantes e nunca se gastou US$ 1,00 em publicidade. Esbarre na filosofia de Jean-Paul Sartre que escreveu que “As pessoas lêem porque um dia desejam escrever". Eureka! Inventamos os blogs e são criados 1,5 por segundo. Você já tem o seu? Aprenda a filosofia de Sócrates que pregava a união dos povos, mobilizando pessoas de todo globo em prol de uma determinada região. Ou unindo toda a comunidade científica mundial para entender o Genoma ou descobrir a cura para o Câncer. São pessoas como nós, sensíveis, inventivas e criadores digitais modelando uma nova Humanidade 4.0 para as novas gerações e utilizando um novo software chamado “sabedoria das multidões”.


Algo mudou? Hora de acordar, Monalisa?