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domingo, 3 de agosto de 2014

A INOVAÇÃO: UMA RELAÇÃO ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA NA PERCEPÇÃO DE PEQUENAS EMPRESAS

Este estudo foi desenvolvido em parceria com  Júlia D Herrmann (amiga e colega de doutorado)  e tem o objetivo de evidenciar o entendimento das empresas de pequeno porte vencedoras de editais públicos no estado do Rio Grande do Sul de forma  e verificar se suas práticas estão alinhadas ao conceito de inovação aberta. Tidd, Bessant e Pavitt (2008) argumentam que o conceito de inovação apresenta variações de entendimento. A inovação pode ser associada ao processo de renovação da empresa, neste sentido apresenta-se como uma atividade genérica associada à sobrevivência e ao crescimento. Além do entendimento do conceito de inovação, este trabalho argumenta sobre a interação da inovação com a aprendizagem das empresas, e a gestão das práticas de exploration e exploitation como uma forma de fomentar a inovação. As empresas entrevistadas apresentam o conceito de inovação vinculado ao retorno econômico mas admitem que algumas inovações não geram retornos mensuráveis e consideram que a prática compreende um processo combinatório em que a interação é um elemento crítico e essencial. Verifica-se que a diversidade de conceitos não dificulta a prática da inovação, e aponta-se que a gestão da inovação requer o entendimento de um conjunto de fenômenos complexo, incerto e altamente arriscado.


Palavras-chave: Gestão da Inovação. Inovação Aberta. Conhecimento. Aprendizado.
Autores: Guilherme Wiedenhöft  e Júlia D Herrmann


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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Inovação Aberta: Como Criar e Lucrar com a Tecnologia (CHESBROUGH, 2012)



O Texto de Chesbrough (2012), traduzido por Luiz Claudio de Queiroz Faria e publicado originalmente em 2003, inicia com a apresentação de um paradigma de inovação considerado pelo autor insuficiente para fornecer inovações significativas para as organizações. O autor denomina este paradigma de “Inovação Fechada” no qual as organizações necessitam controlar desde a concepção de uma nova ideia até o desenvolvimento dos produtos e serviços dela advindos.
Segundo Chesbrough (2003) a sustentação do pensamento de inovação fechada é algo antigo e se dava através de uma lógica subjetiva que não estava estabelecida ou documentada formalmente, mas era tacitamente sustentada como a maneira correta de inovar.  Para o autor, o paradigma da Inovação Fechada têm alguns conceitos e regras implícitas, entre elas, a necessidade de contratação dos melhores e mais capazes trabalhadores do mercado; novos produtos e serviços devem ser originados e produzidos necessariamente nas bases internas da organização; a vantagem de ser o percursos de uma oferta está ligada a ter as ideias certas; a organização vencedora é aquela que leva a inovação ao mercado; a organização que investir mais em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) detém as melhores ideias e consequentemente liderará o mercado e, por fim, a propriedade intelectual deve ser protegida para evitar que os concorrentes   obtenham lucro com as ideias da organização. As convicções implícitas e inerentes ao paradigma da inovação fechada criaram um círculo virtuoso, no qual, as organizações investiam seus recursos em P&D, o que segundo o autor, levava a um grande número de descobertas revolucionárias (CHESBROUGH, 2012).
Durante o século XX, este modelo teve excelentes resultados, a exemplo das indústrias químicas alemãs que criaram um laboratório central de pesquisa e de Thomas Edison que criou a versão Norte-americana deste laboratório e fundou o Laboratório da General Eléctric (CHESBROUGH, 2012).  Contudo, diversos fatores contribuíram para o declínio do modelo Inovação Fechada, sendo um dos principais, a mobilidade de colaboradores altamente experientes e capacitados e com grande que migravam para outras organizações levando consigo o conhecimento aprendido com grande esforço na organização. Outro fator foi uma maior presença de capital de risco que se especializou em criar novas firmas para comercializarem pesquisa externas, até transformar estas start-ups em organizações inovadores, de alto valor e com grande capacidade de se tornarem concorrentes competitivos para os grandes conglomerados que permaneciam na lógica do P&D. Adicionalmente a lógica da Inovação Fechada foi desafiada pelo tempo cada vez rápido de muitos produtos e serviços, tornando a vida protegida de uma tecnologia cada vez menor (CHESBROUGH, 2012).  Assim, com a presença de um caminho externo, o círculo virtuoso foi rompido, as organizações que haviam investindo na descoberta não mais lucravam com os investimentos em P&D que originavam inovações, neste sentindo, as organizações ondem houveram os fatores de erosão a inovação fechada deixou de ser sustentada abrindo a oportunidade para um novo modelo denominado pelo autor de Inovação Aberta (CHESBROUGH, 2012).

O paradigma da “Inovação Aberta” supõe que as organizações podem e devem usar ideias externas da mesma forma como utilizam ideias internas e fluxos internos e externos para o mercado à medida que buscam o aperfeiçoamento de suas tecnologias (CHESBROUGH, 2003). Neste paradigma emergente, segundo o autor, as empresas utilizam tanto ideias internas quanto externas para gerar valor, ao mesmo tempo que cria mecanismos para reclamar parte deste valor. A inovação aberta supõe ainda que as organizações podem utilizar canais externos para levar ao mercado ideias internas, afim de gerar valor adicional através de canis foras dos negócios normais da empresa (CHESBROUGH, 2012). O autor argumenta, ainda, que assim como as ideias podem transbordar dos centros de P&D, à exemplo das start-ups, licenciamento externo e empregados, as ideias externas podem surgir de foram dos processos de pesquisa da organização.
O objetivo do autor com este texto foi apresentar relevância do modelo de inovação aberta para as organizações, neste sentido, o texto trouxe diversos exemplos para sustentar sua argumentação. Conforme Chesbrough (2012), empresas como INTEL, Microsoft, Oracle e Cisco, não realizaram nenhum tipo de pesquisa própria, embora estas organizações tenham ficado conhecidas como empresas inovadoras, elas utilizaram pesquisas de outras empresas. Em quanto empresas com a Xerox, com o Palo Alto Research  Center (PARC), viram os seus projeto descartados tornando-se companhias de grande valor.
O autor argumenta também, que o sucesso do passado do paradigma da inovação fechada  é o que corrobora para sua sustentação num cenário de mutações constante e de conhecimento em evolução contínua. Para Chesbrough (2012) este paradigma está em choque com o cenário do conhecimento atual. O autor aborda a evolução do conhecimento e faz um comparativo em relação ao cenário do início do século XX, onde o conhecimento era guardado da melhor maneira possível dentro dos “grandes muros das áreas de P&D” época ainda em que, conforme o autor, o governo e as universidades estavam as margens do processo de pesquisa das organizações. Para Chesbrough (2012) este cenário muda a partir de iniciativas especificas no século XXI, com a promulgação de leis de incentivo a pesquisa que estavam fortemente alinhadas a pesquisas realizadas por grandes universidades. Assim, foram criados sistemas que incrementaram significativamente a produtividade do setor que abrangia estas iniciativas. Juntas estas iniciativas solidificaram os nascentes elos entre Governo, Universidade e Empresa (CHESBROUGH, 2012).
Para Chesbrough (2012), outro ponto que corroborou para o declínio do modelo P&D de inovação é a o distanciamento entre pesquisa e desenvolvimento. Segundo o autor, os objetivos conflitantes da área de pesquisa e da área de desenvolvimento criam uma desconexão entre os dois setores. A “Pesquisa” é vista como um centro de custo enquanto “Desenvolvimento” é considerado o centro de lucro. Para gerenciar essas desconexões os processos das duas áreas foram separados, para que eles não ficassem tão intimamente ligados, assim as pesquisas eram geradas e armazenadas até que a área de desenvolvimento estivesse pronta para colocar em prática. Com isso, muitas companhias constataram que já estavam com um número muito grande de pesquisa empilhadas em virtude deste sistema (CHESBROUGH, 2012). Este sistema de inovação funcionava com os outputs das pesquisas armazenados, e garantidos através de instrumentos de proteção de propriedade intelectual, como bases de conhecimento para ser utilizado no momento oportuno. Chesbrough (2012), argumenta ainda que os fatores de erosão (Mobilidade dos trabalhadores especialistas; Mercado de capital de risco; Opções externas para ideias paradas e Crescente capacidade dos fornecedores) enfraqueceram os elos entre pesquisa e desenvolvimento no paradigma da Inovação fechada. O autor fala ainda, que estes fatores modificaram o cenário do conhecimento, no qual anteriormente o conhecimento se encontrava nos grandes silos das áreas de pesquisa e agora está distribuído em pools variados por diversas partes destes cenários (CHESBROUGH, 2012). Segundo o autor, as empresas podem encontrar conhecimento vital em clientes, fornecedores, universidades, laboratórios nacionais, consórcios, consultorias e start-ups.  É necessário que as organizações se adaptem para se igualar as esses pools variados de conhecimento ao invés de ignora-los na buscas de agendas internas de P&D.
Para o autor, existe um novo cenário do conhecimento onde as organizações tem acesso a uma infinidade de conhecimentos científicos, publicados em banco de dados públicas, ensaios, artigos impressos e on-lines. As universidades estão cheias de professores com aprofundadas especializações e estes, por sua vez, estão rodeados de alunos de graduação que tornam-se seguidores destes mestres. O autor argumenta ainda, que a expansão da excelência nas pesquisas das universidades, a difusão e a distribuição dessas pesquisas tornam evidente o fim do monopólio do conhecimento construído pelas organizações de P&D do século passado. Neste cenário de conhecimento abundante é possível fazer hoje muita sem precisar dar conta de tudo (CHESBROUGH, 2012). 
Sempre que o contexto da inovação varia de fechada para aberta, o processo de inovação também precisa ser mudado e essa mudança necessita de muito conhecimento. Para Chesbrough (2012), o conhecimento útil é essencial para que haja essa transformação. Para o autor, as organizações não tiram plena vantagens das riqueza de seus conhecimento. As empresas erram ao fazer uso insuficiente de ideias de outras organizações em seus próprio negócio, causando com isso um desperdiço com a duplicação de esforços inovativos errados. Assim, as ideias devem ser utilizadas com destreza pois, do contrário, elas podem ser perdidas. (CHESBROUGH, 2012).
O autor com sua proposta não esgota a utilização dos processos de inovação fechada nos dias atuais, Chesbrough (2012) na verdade diz acreditar que exista um contínuo onde numa extremidade tem-se o processo de inovação fechada e no outro, os processos de inovação aberta. Assim, é possível que encontrar em presas posicionadas em diferentes posições nesta linha. A proposta do autor é uma nova visão do processo de inovação, onde haja a busca por conhecimento e ideias externas ao mesmo tempo em que nutre as ideias surgidas internamente. No processo de inovação aberta o que importa é o objeto “ideia” e não sua fonte, sendo ela uma boa ideia ela pode vir de qualquer lugar dentro e fora dos processos de P&D ou da própria organização, compartilhando o conhecimento e colocando ideias em outras empresas. O autor argumenta que agindo assim, as organizações podem renovar seus negócios atuais e gerar novos negócios pois, “para uma companhia inovadora num mundo de abundância de conhecimento, a atualidade pode ser a melhor de todas as épocas” (CHESBROUGH, 2012). 


Referências
CHESBROUGH, Henry W. Inovação Aberta. Como Criar e Lucrar com a Tecnologia. Porto Alegre, Bookman, 2012.
CHESBROUGH, Henry W. Open innovation: The new imperative for creating and profiting from technology. Harvard Business Press, 2003.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Modelo Conceitual de Efetividade da Governança de TI


Olá pessoas, sei andei um pouco afastado mas garanto-lhes de que foi por uma boa causa. Estive trabalhando em minha dissertação, mas agora estou de volta e para recomeçar trago para vocês o resumo de um artigo meu que foi publicado no XIX SIMPEP - Simpósio de Engenharia da Produção em 2012.

RESUMO

Abordagens de Efetividade  Organizacional: Um Estudo Teórico e a  Proposição de um Modelo Conceitual de  Efetividade para os Mecanismos da  Governança de TI


A existência de diferentes definições para a efetividade organizacional dificulta a construção de um modelo de efetividade para os mecanismos de governança de TI. No entanto a relevância que os autores (Looso e Goeken, 2010; Sambamurthy e Zmud, 1999; Weill e Ross, 2004; Henderson e Venkatraman, 1993; Peterson; 2004 e ITGI, 2007) atribuem ao assunto indica um campo prospero a ser analisado nesta pesquisa e em pesquisas futuras. Assim sendo, o trabalho proposto apresenta como base as teorias de efetividade organizacional dos autores (Georgopoulos e Tannenbaum, 1957; Etzioni, 1964; Pfeffer e Salancik, 1978; Katz e Kahn, 1978; Lewin e Minton, 1986; Cameron, 1986; Harrison, 1994 e Gandolfi, 2006) encontradas na literatura para entendimento da influência destas nas abordagens de efetividade de Governança de TI. Com base nesta revisão da literatura sugere-se uma abordagem de efetividade para Governança de TI através da perspectiva de seus mecanismos, propondo um modelo conceitual em que os mecanismos devem atender e respeitar respectivamente os objetivos e princípios da Governança de TI.

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Fonte: WIEDENHÖFT, G. C.; LUCIANO, E. M.;  TESTA, M. G. E SILVA, V. R. B. Abordagens de Efetividade  organizacional: Um estudo teórico ea  proposição de um modelo conceitualde  efetividade para os mecanismosde  Governança de TI. XIX Simpósio de Engenharia da Produção (artigo: 1247).  Bauru, SP. 2012